segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

Começar de novo- 2014/15


Bem-vindos a este novo ano letivo!

Para começarmos com esperança e energia, partilho convosco uma música de uma banda mítica, os Xutos e Pontapés.




O que motivou a escolha desta música para marcar o início do ano letivo?

"Eu penso que a professora escolheu esta música para o início das aulas, pois ela fala de ter um novo começo e de estarmos preparados para tal. É uma música que tem muita energia, o que é necessário sempre que começamos uma nova etapa na nossa vida. Também nos relembra de que devemos sempre ter alegria e fé." Inês Ribeiro, 9.ºC

«Foi escolhida a música "Contentores" da banda Xutos & Pontapés, para comparar o final das férias e o começo de "outro mundo", outro ano letivo, com "a carga pronta e metida nos contentores"; ou seja, acaba a brincadeira e recomeça um novo ciclo a sério e a valer.» Inês Viola, 9.º C


"Esta música dos Xutos e Potapés foi escolhida porque fala em ter um novo começo, com fé e esperança. Tem tudo a ver com o início das aulas e acho que foi bem escolhida porque temos que ter fé e esforçarmo-nos para ter boas notas e conseguirmos os nossos objetivos." Gabriel Cardoso, 9.ºA

sábado, 10 de Maio de 2014

Memórias de um fidalgo vicentino (registo de muito interessantes produções da autoria de não menos interessantes alunos)

Memórias do fidalgo D. Anrique

A mata do Buçaco, uma de muitas nos meus tempos de caçadas enquanto ainda era vivo. Muitas aves eu caçava, mas isso agora é apenas uma recordação.
Nesses dias, em que sendo um grande e majestoso fidalgo de solar, acordava e esperava pelo pajenzito menor e impuro que me vestia e que, tal como meu pai me ensinara, obrigava a venerar-me constantemente.
Em todos esses dias, após o pequeno-almoço cortejava a minha mulher, mas só pelo dever e para que quando morresse rezasse por mim de modo a ir para o paraíso, algo inútil constato agora. O meu grande amor era só um. A bela e única, que só para a ver prometia mais meio toucinho ao criadito tolo, que tão reles era que caía no mesmo truque vezes e vezes, mas tal como minha mulher, assim que desapareci, seu falso amor desapareceu também, mas tendo em conta que cada nobre, nessa altura e ainda nos dias de hoje, tem duas e três amantes, não me posso espantar. E minha mulher que me fora destinada, favorecendo um de muitos negócios feitos assim, era claro que esperava minha morte, a fim de poder viver dos inúmeros privilégios que detinha.
Agora só me restam os dias de caça na mata do Buçaco. Havia uma árvore, a árvore da sorte, lhe chamava. Aí encontrava sempre uma grande perdiz como que me esperando. E assim, com um enorme triunfo, regressava ao solar após a passagem pelas ruas empestadas daquela gente similar aos meus achados da caça em que o seu único propósito é o de sobreviver numa vida de imundice e tolice.
Oh, belos tempos! Dias inteiros a comer suculentos javalis, a beber o vinho do Douro e a ouvir os trovadores, outros tolos.
Era a rotina de uma vida que agora já vai longe e que tendo acabado feliz, se segue de uma vida de sofrimento, tal como a das ratazanas tolas e imundas das ruas do mercado de Coimbra.
André Pereira, 9.º C


As minhas memórias

Lembro-me de estar sentado na minha cadeira de espaldas. Alguém sussurrou ao meu ouvido ”Meu senhor, vinde, que é importante”. Importante?! Mas fui. Estava um grupo de camponeses a gritar à porta do meu solar. “Queremos falar com o fidalgo!” Estavam todos em magote para me dizerem que este ano não iria haver produção suficiente. Eu fiquei para morrer! Como seria possível? Então, resolvi que deveria ir comprar alimentos ao condado vizinho, para resolver o problema. Situação resolvida.
No dia seguinte…
O vento assobiava e as árvores abanavam. Eram castanheiros, com a castanha pronta a apanhar, pois estávamos em novembro. Parece que foi ontem, mas foi há mais de vinte e seis anos, três meses, dois dias, oito horas, quinze minutos e doze segundos.
Até agora, eu pareço ser muito bonzinho, mas enganam-se! Eu sou horrível! Por causa de mim morreram mais de trezentas pessoas porque eu disse serem conspiradoras contra a coroa. Os impostos eram altíssimos e eu ainda os aumentei mais. Todos os meus bens estavam bordados a ouro. A minha peruca também, por isso não a podia usar.E assim andava com os piolhinhos todos à mostra. Os meus criados tinham de andar sempre vergados, para não me olharem nos olhos e para não irem contra os candeeiros a velas.
Assim ficaram a conhecer-me melhor, mas não me apresentei. Denomino-me D. Anrique, mas é Excelentíssimo Senhor Fidalgo D.Anrique para vocês.

Fabricado por:
Inês Alves N.º14
Jorge Valentim N.º18
9.ºB

Já não existem muitas memórias e as que tenho não saberei se são as melhores ou as piores.
As mais recentes lembranças são de estar a passear pela casa com alguns criados a fazerem-me companhia, também de me sentar numa cadeira de espaldas e tragar um remédio para as dores. A minha mulher, de cabelo ruivo e pele pálida, a perguntar-me se não seria preciso chamar um médico, eu a agitar a cabeça de um lado para o outro, a pensar que só precisava de ver uma amiga, dama engraçada, e uma das mais esbeltas que já vi. Ao vê-la lembrei-me das memórias de quando supostamente, para a minha mulher, ia em passeios, mas parava em casa dessa amiga, que era como a minha segunda casa.
Recordo-me também de que, quando falavam para mim, inclinavam-se sempre primeiro e nunca olhavam para os meus olhos, pois sou um fidalgo, um dos mais ricos fidalgos; agora quando penso ser da nobreza julgo ser algo maçador, porque não podemos ir sozinhos a lado nenhum, apesar de por vezes necessitarmos de estar sós, mas por outro lado até é bastante agradável, pois posso comprar tudo o que quero. Além disso, a nobreza é a classe social com maior valor não só em dinheiro, mas também em estatuto. É difícil lidar com quem nos rodeia, principalmente se forem criados desajeitados, característica muito comum, também é difícil lidar com as mulheres, porque todas me querem e eu quero tudo. Eu sou O fidalgo D.Anrique e tenho tudo o que quero. Eu quero, posso e mando.

Ana Martins 9.ºB N.º2
Maria Carreira 9.ºB N.º20

quarta-feira, 1 de Janeiro de 2014

Para quem quer saber mais sobre Almada Negreiros...

Que este novo ano faça a diferença positiva! Este texto é uma montagem de versos de todos os poemas que trabalhámos em aula. Conseguem descobri-los?

Se eu pudesse havia de transformar as palavras
Das páginas dos livros que já tinha lido

Aquela nuvem
Parece de repente uma ave de fogo
Tão jovem!que jovem era!
Nessa noite em que não houve madrugada

Enfim, quero sempre estar
Quási
Novo
Até no coração das coisas menos percebidas

É dentro de você que o Ano Novo
Cochila e espera desde sempre


(Versos de Irene Lisboa, Ruy Belo, José Gomes Ferreira, Fernando Pessoa,
Mário de Sá-Carneiro, Carlos de Oliveira, Nuno Júdice, Carlos Drummond de Andrade)

domingo, 17 de Novembro de 2013

Comentários ao conto "Felicidade Clandestina", de Clarice Lispector

Exercício para treino

Faz um comentário crítico ao conto “Felicidade clandestina”, de Clarice Lispector (pp.50-52).
Não esqueças: faz o plano do texto antes da redação e faz a revisão no final!

“Felicidade Clandestina”, texto integrado na obra Contos de Clarice Lispector, é uma narrativa sobre o prazer da leitura.
O conto começa com a descrição física da menina sardenta, opositora relativamente à protagonista, a narradora. Esta oposição é evidenciada na relação intratextual de contraste, entre o primeiro e o terceiro parágrafo, explicitando-se as diferenças das personagens a nível físico, social e psicológico.
A crueldade da menina, assumida no início, é comprovada, por um lado, pelos juízos de valor da narradora, assumidamente subjetiva, “ crueldade”,(l. 11) “o seu sadismo” (l. 14), mas também pelas ações da personagem, que vai adiando o empréstimo de um livro muito desejado à narradora. Esta “tortura chinesa” é relatada através do recurso a expressões de tempo cronológico, por ex.: “no dia seguinte (l. 25), mas também de conectores discursivos, como as conjunções “Mas” (l. 34), “E” (l. 40).
As interrogações retóricas “Quanto tempo?” (l. 45) , a par das interjeições “ meu Deus” (l.21), das repetições, por um lado, assumem uma relação com o narratário (que se pressupõe um confidente, alguém sensibilizado para o sofrimento da narradora); e, por outro, conferem um tom coloquial ao conto.
Pela presença da narradora, pela omissão do nome da menina má, pela emotividade que transparece, poderemos deduzir o carácter autobiográfico do texto, mas, sobretudo, por ser uma confidência do que se espera de uma grande escritora, como Lispector: a certeza de que foi uma apaixonada leitora.


Prof.ª M.ª João Silvestre